De acordo com espíritos conceituados, caso de Silvestre Bernardo Lima (século XIX), autor de vários estudos sobre raças de animais domésticos em Portugal hoje tidos como clássicos, o tipo “bordaleiro comum” era uma variedade muito disseminada pelo país no século XIX, encontrando-se também entre os transumantes da Serra da Estrela.

Hoje entende-se por bordaleira uma etnia que inclui várias raças como a campaniça, a ovelha de Entre-Douro e Minho, a saloia, para além de todas as ovelhas que, em Espanha, se designam por entrefinas.

O seu solar situa-se na bacia hidrográfica do rio Mondego abrangendo os concelhos de Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Fornos de Algodres, Manteigas, Oliveira do Hospital, Tábua, Arganil, Mangualde, Nelas, Carregal do Sal, Penalva do Castelo, Tondela e Viseu.

O retrato “oficial” desta raça ovina, suporte primeiro do “Queijo Serra da Estrela”, tem os primeiros contributos a serem publicados nos anos 40 pela Intendência de Pecuária de Coimbra, com particular relevo no trabalho desenvolvido pelo Posto de Fomento Pecuário de Oliveira do Hospital.compartilhar com o mundo.

A ovelha “Serra da Estrela”

Aspeto geral

Estatura mediana, esqueleto bem desenvolvido, regularmente musculado, de cor branca ou preta, com aptidão predominantemente leiteira.

Pele, velo e lã

Pele: Fina, elástica e untuosa, branca e com reduzida pigmentação nas extremidades, ou preta. Velo: Branco ou preto, pouco extenso, não abrangendo a cabeça, a barriga e os membros; pouco tochado de madeixa cilíndrica ou ponteaguda; pêlos cábrios mais abundantes na parte dorsal (posterior) do animal. Lã: Tipo cruzada fina, pouco ondulada, toque suave ou ligeiramente áspero.

Cabeça

Mediana, de forma piramidal, deslanada, fronte estreita e plana, arcadas orbitárias salientes, olhos grandes, face comprida e estreita de forma triangular, chanfro convexo e liso, boca rasgada de lábios grossos; cornos em ambos os sexos, de comprimento variável, de forma espiralada, rugosos, fortes na base, finos e mais claros na ponta.

Pescoço

Pescoço comprido, delgado, de forma tronco-cónica, sem barbela, garrote largo e pouco destacado, espáduas oblíquas compridas e estreitas, costado bem arqueado.

Tronco

Dorso e lombo compridos e largos, garupa comprida e de regular largura; ventre volumoso.

Úbere

Úbere de forma globosa, desenvolvido com sulco mediano evidente; têtos grandes e bem implantados.

Membros

Finos e compridos, bem aprumados, deslanados abaixo do joelho e curvilhão; unhas pequenas e rijas.

Peso vivo adulto

Fêmea: 50-55 kg; Macho: 80-100 kg.

Caraterísticas da ovelha bordaleira